Conforme exposto na primeira parte deste artigo, publicado na edição anterior, em seu habitat natural os acarás disco encontram condições adequadas para o correto funcionamento do seu metabolismo. Quando são trazidos para os aquários ou outro tipo de cativeiro, se deparam com condições adversas, ficando mais suscetíveis a enfermidades, causadas, principalmente, por deficiências nutricionais, distúrbios metabólicos, diferenças ambientais e agentes patogênicos.
Foi colocado também que estudos realizados por diversos biólogos vêm concluindo que o estresse é o principal causador das enfermidades nos acarás disco, principalmente pela sua configuração comportamental.
Os discos vivem na presença de diversos patógenos, no entanto, isto não significa que vão adquirir as enfermidades relacionadas a estes, pois quando saudáveis possuem a resistência necessária para inibi-las. Quando são submetidos a uma situação de estresse terão uma baixa no seu sistema imune permitindo, então a instalação daqueles organismo.
Vale lembrar que os principais agentes causadores de estresse no acará disco são:
a)água com parâmetros físico-químicos inadequados;
b)alta concentração de matéria orgânica;
c)choque térmico;
d)redução na concentração de oxigênio dissolvido;
e)condicionamento inadequado;
f)deficiência nutricional;
g)medicamentos em excesso ou indevidos, principalmente antibióticos;
h)super população, e
i)choque nos parâmetros físico químicos (pH e DH).
A seguir relaciono as próximas enfermidades que mais comumente afetam os acarás disco:
- A Síndrome do Buraco na Cabeça
Estudos recentes vêm indicando que esta doença está associada ao estresse, à má qualidade da água, má nutrição e infecção bacteriana.
Biólogos envolvidos com a pesquisa da enfermidade em questão acreditam que o buraco na cabeça tem como fase inicial, uma deterioração da linha lateral, causada pelo enfraquecimento do animal como resultado de doença, em outra parte do corpo, ou por deficiência nutricional, principalmente pela falta de cálcio e fósforo.
A linha lateral ocorre ao longo do corpo do peixe indo até a cabeça, contendo vários órgãos sensoriais, que atingida causa o enfraquecimento do peixe, podendo levá-lo a um estado de falência fisiológica.
Em várias situações foi observado um grande número de parasitos, em torno dos buracos, como Spironucleus, Hexamita ou Cryptobias; no entanto, não ficou comprovado que foram eles os responsáveis pela enfermidade. Não foram identificadas bactérias específicas na fase inicial da doença, porém elas foram observadas na fase mais crítica. Alguns estudiosos atribuem a enfermidade a uma infecção viral.
Sintomas: o primeiros sintoma da enfermidade é a erosão da linha lateral do animal, que pode ser vista a olho nu. Posteriormente aparecem os furos em várias regiões da cabeça, podendo ser observada a presença de “flocos”, que parecem fiapos de algodão, dando a impressão que são vermes, sendo, no entanto, puz.
A doença atinge com maior incidências animais com idade avançada e desnutridos, levando-nos a concluir que estão com seus sistemas imunes debilitados.
Tratamento: colocar o peixe infectado num aquário com água nova, tratada e a temperatura de 32º C, com iluminação branda e resguardado de movimentos. A alimentação deve ser diversificada e os alimentos vivos são imprescindíveis. Só haverá chance de cura se o disco se alimentar. Nesta fase recomenda-se evitar a utilização de enquitréias e tubifex.
Vários fármacos são utilizados pelos criadores de disco entre eles: formalina comercial, sulfato de cobre, metronidazole e acriflavina. Alguns criadores afirmam que recuperaram seus discos quando implementaram a adição de uma multivitamina à alimentação ou diretamente na água do aquário.
Nas lojas especializadas existe fármacos próprios para o Tratamento da enfermidade em questão.
Na maioria dos casos o disco não consegue sobreviver a esta enfermidade; no entanto, quando sobrevive geralmente ostenta cicatrizes. Há casos de regressão espontânea.
- A Enfermidade do Acará Disco Louco (Myxomiose)
Trata-se de uma doença causada pelo protozoário Myxosoma cerebralis e, quando ocorre no acará disco, geralmente leva ao óbito.
É um parasito da cartilagem da cabeça e da coluna vertebral e a sua transmissão é horizontal. O protozoário passa por diferentes fases de desenvolvimento, no entanto, a transmissão ocorre na fase de esporos. O esporo se fixa à mucosa intestinal do animal e depois de algum tempo se transforma em um trofozóide (a forma ativa do patógeno). O trofozóide penetra na parede do interior de órgãos internos e estruturais, como por exemplo, nos músculos, fígado, baço e intestino e dali passa para corrente sanguínea podendo chegar ao cérebro. O período de incubação do agente é de aproximadamente 40 dias, variando de acordo com a temperatura da água e o estado de saúde do peixe. Os esporos deste organismo são incrivelmente resistentes, podendo manter-se íntegros durante décadas no substrato e é capaz resistir até ao tratamento com maciças dosagens de cal virgem. O diagnóstico certo para a myxosomiose só é possível em laboratório.
Sintomas: os sintomas que se manifestam na myxosomiose caracterizam-se pelo enegrecimento da epiderme, iniciando, discretamente, na altura do pedúnculo caudal e espalhando-se pelo resto do corpo; posteriormente ocorrem as mudanças inusitadas no comportamento. O animal entra em “estado de loucura”, durante 10 a 30 segundos, caracterizado por movimentos de fuga, complementados por desordenados movimentos de rotação, como se ele girasse em torno de um eixo imaginário. Após o transe, o animal fica ofegante e leva um tempo para se recuperar e depois volta ao normal. Com o decorrer da doença o disco para de se alimentar, se isola do cardume e emagrece exageradamente. As crises de “loucura” se repetem sem períodos determinados e numa delas o animal morre.
Tratamento: relativamente à terapia para esta anomalia, vários fármacos foram experimentados por diversos criadores: antibióticos, fungicidas, bactericidas, parasiticidas, porém nenhum deles se mostrou eficaz frente a myxosomiose. O criador de disco Francês J.C. Nourrissat, relatou que após ter esgotado todos os recursos farmacológicos, tentou como o último tratamento o cloreto de sódio(nacl).
Embora criticado pelos outros criadores que achavam o tratamento com sal não daria certo, Nourrissat afirmou que a terapia se mostrou eficaz. O tratamento utilizado por ele consistiu em dissolver cinco gramas de cloreto de sódio para cada litro de água e deixar os peixes naquela solução durante quinze dias.
Os peixes que resistem a esta enfermidade, por mais de três meses, costumam se recuperar, no entanto, apresentam deformações no crânio, ou seja, formação de partes côncavas, redução do maxilar superior e inferior, redução do opérculo e desvio na coluna vertebral. Existem registros de reversão espontânea.
Nas lojas especializadas existem fármacos próprios para o tratamento da enfermidade em questão.
- Podridão das Nadadeiras Causada por Bactérias
Trata-se de infecção nas nadadeiras causada por ação de bactérias, principalmente Flavo bacterium e Columnaris bacterium e/ou outros microorganismos patogênicos.
manutenção de parâmetros físico-químicos incompatíveis, alta carga orgânica no aquário etc.
Sintomas: degeneração nas nadadeiras, degeneração das brânquias, inflamação na boca, muco amarelado em redor das áreas afetadas, vasos sanguíneos dilatados em redor dos olhos e na base das nadadeiras.
Tratamento: retirar o peixe infectado para um aquário com água nova, tratada e a temperatura de 32º C, com iluminação branda e resguardado de movimentos. Criadores experientes adotam o tratamento à base de acriflavina, combinado com um antibiótico de largo espectro e geralmente obtém um bom resultado.
Nas lojas especializadas existem fármacos próprios para o tratamento da enfermidade em questão.
- Hexamitose
Esta enfermidade é causada por um protozoário do gênero Hexamita e pode ser observado, com freqüência, no intestino do acará disco. A transmissão ocorre, geralmente, pela ingestão de cistos liberados juntamente com as fezes dos peixes infectados. Estes organismos prosperam em condição de baixa oxigenação, temperatura elevada, excesso de população e sobras de alimentos. Podem ser considerados como comensais apenas em situação de estresse e debilidade dos hospedeiros. Estão associados à áreas de necrose no fígado e rim, bem como à degeneração muscular.
Sintomas: Não é possível um diagnóstico preciso desta enfermidade; diversos distúrbios podem aparecer com esta doença como, por exemplo distúrbios natatórios, emagrecimento, cor escura no tegumento, nadadeiras fechadas e fezes brancas e compridas. Freqüentemente são observados peixes que se aproximam e se afastam do alimento oferecido sem tocá-lo.
Tratamento: retirar o peixe infectado para um aquário com água nova, tratada e a temperatura de 32º C, com iluminação branda e resguardado de movimentos. Criadores experientes afirmam terem obtido reversão da enfermidade com a utilização do medicamento Metronidazole.
Nas lojas especializadas existem fármacos próprios para o tratamento da enfermidade em questão.
- Teníase (Tênias)
As tênias são comuns nos discos. A infestação ocorre geralmente especialmente em face de má nutrição.
Sintomas: no estágio inicial os peixes não apresentam nenhum sintoma; alimentam-se e nadam normalmente e assim o verme se propaga por todo o cardume.
O sinal da manifestação só fica visível quando o disco apresentar uma “minhoca” branca comprida, semelhante a um pedaço de linha branca, pendurada no ânus.
Esses vermes podem atingir um comprimento de 10 a 15 cm, com uma largura de 3 a 5 mm. Mesmo peixes pequenos podem hospedar tênias grandes.
Esses organismos geralmente são introduzidos através de alimentos vivos coletados em locais contaminados (larvas de mosquito, cyclopes etc). Os peixes contaminados emagrecem, uma vez que os vermes absorvem quase toda a substância nutritiva.
Tratamento: transferir o peixe infectado para um aquário com água nova, tratada e a temperatura de 32º C, com iluminação branda e resguardado de movimentos. Criadores experientes afirmam terem obtido reversão da enfermidade com a utilização do medicamento Prazequintel.
Nas lojas especializadas existem fármacos próprios para o tratamento da enfermidade em questão.
- Girodactilose
O agente desta enfermidade é o Girodactilus salaris, parasito ovovivíparo, que possui ganchos na extremidade posterior que penetram no tecido do peixe em profundidade; se alimenta de sangue e tecido.
Ataca geralmente o tegumento e as brânquias dos discos provocam irritações e posteriormente infecções, fazendo os peixes se esfregarem no fundo do aquário.
As penetrações são perigosas porque permitem a entrada de outros organismos unicelulares como “trichodima” e “chilodonella” (parasitos flagelados de brânquias e pele), podendo produzir “crateras” sangrentas e profundas. Como reação de defesa a camada de muco se espessa parecendo revestida de um verniz leitoso.
Sintomas: o primeiro sintoma observado é que os discos começam a se esfregar pelo aquário procurando se livrar do parasito. O tegumento do animal se escurece e ocorre o aumento em excesso da produção de muco, nas brânquias e superfície corporal do peixe. O disco assume o comportamento de cuspir a comida. Os olhos poderão ficar embaçados e em casos críticos, não tratados corretamente, podem causar cegueira.
Tratamento: transferir o peixe infectado para um aquário, com água nova, tratada e a temperatura de 32º C, com iluminação branda e resguardado de movimentos.
Vários fármacos são utilizados pelos criadores de disco entre eles: formalina, flubendazol, acriflavina. Nas lojas especializadas existem fármacos próprios para o Tratamento da enfermidade em questão.
- Dactilogyrose
O agente desta enfermidade pertence ao gênero Dactylogyrus, parasito ovíparo que infesta a pele e as brânquias dos discos e se alimenta de sangue e tecido.
Danifica o tegumento introduzindo um gancho central no tecido branquial criando um meio para infecções secundárias por fungos e bactérias. Esse organismo é hermafrodita; após a fecundação recíproca o ovo é expelido; em uma extremidade do ovo há um filamento adesivo com o qual ele pode se fixar ao tecido branquial.
A maioria dos ovos é expelida e levada pela correnteza e cai no fundo do aquário onde amadurece em poucas horas dando origem a uma larva, que nada a procura de um hospedeiro; quando encontra, se instala nas brânquias e passa a se alimentar.
Nenhum medicamento conhecido consegue destruir os ovos dentro do aquário.
Sintomas: o primeiro sintoma observado é que os discos se esfregam pelo aquário procurando se livrar do parasito. Há também o aumento em excesso da produção de muco nas brânquias e superfície corporal do peixe e o comportamento de cuspir a comida. Os olhos do animal podem ficar embaçados e, se não tratado devidamente, pode causar cegueira.
Tratamento: o tratamento pode ser o mesmo recomendado para os girodactilídeos.
- Capilaria
São vermes nematódeos encontrados freqüentemente no intestino dos peixes, sem, no entanto, causar dano se a sua quantidade for controlada. A espécie mais comum é Capillaria pterophylliu.
A presença deste organismo só pode ser identificada através da presença de ovos nas fezes dos discos que só podem ser visualizada através do microscópio.
A transmissão da capilária ocorre quando o peixe come os ovos no fundo, as fezes ou alevinos infectados. A multiplicação desordenada deste patógeno poderá ocorrer quando o disco apresentar um elevado estado de estresse.
Sintomas: o tegumento do animal fica escuro e o peixe perde o apetite, perdendo conseqüentemente peso. As fezes vão se apresentar brancas e compridas.
Tratamento: transferir o peixe infectado para um aquário com água nova, tratada e a temperatura de 32º C, com iluminação branda e resguardado de movimentos. Vários fármacos são utilizados pelos criadores de disco entre eles o Flubendazol e o Metronidazole. Nas lojas especializadas existe fármacos próprios para o tratamento da enfermidade em questão.
Medidas Preventivas a serem Adotadas:
a) Manter os parâmetros físico-químicos em condições compatíveis com o gênero;
b) Manutenção das trocas de água, sendo necessário pelo menos cinqüenta por cento do volume total por semana;
c) Evitar superpopulação;
d) Variar o máximo a alimentação não dando para seus discos ração mais barata, alimentos vivos são imprescindíveis;
e) Não manter nenhum disco em situação de estresse;
f) Fazer quarentena em todos os peixes recém adquiridos, pois embora saudáveis podem ser hospedeiros de diversos organismos patogênicos, e
g) Evite usar medicamentos indevidos, na duvida consulte um veterinário ou profissional especializado.
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