Pingüins - Visitantes do Sul
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Jorge Eduardo de Almeida


Os pingüins pertencem a ordem dos Esfeniciformes e são aves extremamente especializadas, pois todas as suas características estão moldadas para uma vida marinha e em especial a dos mares frios do pólo sul. São portanto aves típicas da Antártica, embora possam ser encontradas um pouco mais ao norte desse continente, especialmente na Nova Zelândia, sul da Austrália, América do sul e até mesmo no sul da África.

Não ocorrem de modo algum no hemisfério norte, portanto não podem ser encontradas no Ártico onde vivem ursos polares e esquimós, ao contrário da imagem popular que associa aquelas vastidões geladas com a presença destes animais e homens, além das focas, é claro.

Vivendo no hemisfério sul, os pingüins são mais comuns do que se costuma imaginar em nosso país, embora a maioria dos que aqui chegam, durante as suas migrações invernais sejam animais “perdidos”, trazidos por correntes marítimas e que normalmente não passariam do litoral do Rio Grande do Sul, mas que sempre acabam aparecendo nas praias de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e até mesmo no Espírito Santo e Bahia podem ser encontradas estas aves.

Normalmente estes visitantes do sul pertencem a espécie conhecida como Pingüim-de-Magalhães (Spheniscus magellanicus), que é bastante comum no sul do continente (Terra-do-fogo, Estreito de Magalhães, litoral da Patagônia), na Argentina e no Chile, possuindo populações que sobem a corrente fria ao longo do litoral da costa do Oceano Pacífico na América do Sul chegando até o Peru.

Além desta espécie, de porte pequeno e frequentadora de praias bem ao norte da Antártica, existem muitas outras, que normalmente só podem ser encontradas naquele continente ou em arquipélagos muito próximos, como o pingüim-de-Adele, o Pingüim Real, o Pingüim Imperador (que é o maior de todos), o de sobrancelhas (que talvez seja a de aspecto mais insólito devido as penas longas que possui sobre os olhos) etc.

Embora de portes diferentes e com características específicas, que nos permitem separá-los em várias espécies, os pingüins possuem em comum o fato de serem aves marinhas e extremamente especializadas, ao ponto de terem suas asas “transformadas” em nadadeiras perdendo portanto a faculdade de voar, mas os tornando capazes de nadar a uma velocidade de até 40 Km/h.

Suas penas também são atípicas, quando comparadas com as de outras aves, possuem pés palmados (como os patos, gaivotas, atobás e tantas outras aves aquáticas), uma espessa camada de gordura sob a pele (proteção contra o frio) e a postura ereta de seu esqueleto fazem parte de um conjunto de adaptações ao tipo de vida que levam.

Alimentam-se basicamente de peixes e crustáceos, em especial o krill, mas moluscos também entram na dieta de algumas espécies.

Nidificam em colônias, as vezes muito grandes com centenas de casais e suas ninhadas são de apenas um ou dois ovos, geralmente.

Seus principais predadores são outras aves, como gaivotas, skuas e estercocários, que atacam os ninhos e também mamíferos como a orca e a foca leopardo, que atacam os adultos.

Quanto a outras ameaças, aquelas causadas pelo homem, merecem ser destacadas a poluição do mar, em especial os derramamentos acidentais de petróleo e a grande quantidade de materiais plásticos, que são frequentemente encontrados no trato digestivo de aves marinhas mortas e a exploração pesqueira nos mares antárticos, que mesmo não sendo das mais danosas aos pingüins, podem afetar negativamente algumas colônias.


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