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A classe das aves é mais numerosa dos vertebrados terrestres, sendo que se conhece cerca de 9.000 espécies vivas, agrupadas em 43 famílias e 25 ordens. Graças à sua capacidade de voar, as aves têm uma grande capacidade de dispersão, sendo este grupo praticamente cosmopolita.
A morfologia das asas das aves, varia de acordo com o tipo de vôo, que pode ser batido ou planar. As asas das espécies florestais são curtas e com a ponta arredondada (gavião), o que proporciona uma maior manobrabilidade em vôo. Nas espécies planadoras de ambiente com muito vento (albatroz), as asas são longas e estreitas, nas planadoras que aproveitam correntes térmicas (abutres), as asas são largas e retangulares.
Embora o Albatroz-de-Galápagos (Diomeda irrorata) nidifique nas ilhas Galápagos, a sua área de distribuição se estende pela zona marítima compreendida entre estas ilhas e o litoral noroeste do continente sul-americano. É o único albatroz restrito à zona tropical. Dentro das espécies de tamanho parecido (entre 85 e 93cm de comprimento do corpo e entre 230 e 240cm de envergadura das asas), pode ser distinguida pela combinação de tons marrons do seu corpo, tons ocres no pescoço e a cabeça esbranquiçada. O bico é muito comprido e também está tingido por uma tonalidade ocre.
Alimenta-se principalmente de grandes peixes e de cefalópodes (polvos, lulas) que pega na superfície da água. Realiza esta atividade freqüentemente durante a noite, quando as suas presas tendem a subir mais perto da superfície e se tornam mais acessíveis.
Reproduz-se anualmente, apesar de o único ovo que bota precisar de cerca de 60 dias de incubação e o filhote de cerca de 160 dias para completar o seu crescimento. Forma importantes agregações, embora costumem ser bastante esparsas. Não constrói nenhum tipo de ninho, de maneira que o ovo é depositado diretamente sobre o solo, aproveitando alguma irregularidade do terreno. Isto faz com que, durante a incubação, o ovo possa se deslocar até 50cm do lugar de origem e, por isso, não são raras as perdas por ruptura ou em lugares inacessíveis.
O abutre-africano (Gyps africanus) constrói o ninho em forma de plataforma com galhos, erva e folhas tenras, em geral na copa de árvores nas proximidades de algum curso de água. A postura ocorre no início da estação seca e costuma ser de um único ovo, raramente dois ou três. A incubação dura cerca de 56 dias e ambos os progenitores se revezam no cuidado dispensado tanto aos ovos quanto à cria, cuidado que se prolonga até que estes atinjam os 120 ou 130 dias de idade.
Embora seja sedentário em muitas áreas, em outras realiza migrações na procura de zonas com melhores recursos alimentares. É gregário e inúmeras vezes forma colônias entre dois ou três ninhos em uma mesma árvore. Alimenta-se de carniça e fragmentos de ossos de grandes carcaças. Demonstra certa preferência pelos músculos e pelos órgãos dos animais mortos e ocasionalmente ocorrem verdadeiras batalhas ao redor de um cadáver. Depois de comer, costuma banhar-se com as outras espécies em seus sítios favoritos.
Algumas aves abandonaram o vôo totalmente (ratitas) ou parcialmente (galiformes) e para fugir utilizam a corrida. As maiores (avestruz - Struthio camelus, ema - Rhea americana e o avestruz-da-Austrália) apresentam analogias com os mamíferos (ungulados). Quase 400 espécies nadam habitualmente. As adaptações à natação se caracterizam por plumagem impermeabilizada, membranas interdigitais e, para as que mergulham, redução dos sacos aéreos e reforço da caixa torácica.
Cerca de 90% das espécies de aves são monógamas, mas existem muitos casos de poligamia, especialmente os de machos territoriais com haréns. As aves são ovíparas e põem em um ninho, de maior ou menor complexidade e feito dos mais variados materiais (ramos, barro, cavidades escavadas), de 1 a 19 ovos com casca calcificada, que são incubados de 10 a 80 dias por um ou ambos os progenitores.
Muitas aves procriam em colônias que chegam a milhares de exemplares. Existem casos de nidoparasitismo (cuco), no qual os ovos são postos em ninhos de outras espécies para que estas desenvolvam as crias. As crias recém eclodidas podem ser muito independentes (nidífugos) ou necessitar de um período de alimentação e cuidados paternos (nidícolas).
Das 52 espécies de aves da Antártida, os pingüins (dezoito espécies) são a sua marca registrada, já que todos os existentes hoje habitam o hemisfério austral (o pinguim ártico foi extinto). São aves marinhas por excelência, incapazes de voar, mas extremamente ágeis na água. Diferem de outras aves marinhas na sua camada de gordura e na penugem (apresentam duas asas inúteis para o vôo), especialmente adaptada para o mergulho (o pingüim-imperador - Aptenodytes forsteri - pode atingir a profundidade de 265 metros, permanecendo submerso até nove minutos). Em terra, são desajeitados ao caminhar e frequentemente escorregam pela neve quando fogem assustados.
O canário-amarelo-da-europa é uma ave principalmente sedentária, embora as populações mais ao norte costumem migrar para o sul durante o inverno. No Sul da Europa, onde é mais quente, costuma estar restrito à zonas montanhosas até os 2.000m. Habita em zonas abertas, em geral áreas de uso agrícola. Constrói o ninho com erva e pêlos debaixo de um arbusto ou a pouca altura em um matagal. As vezes pode ser observado, na primavera, cantando em galhos ou nos fios da rede elétrica, o seu poleiro mais típico. Alimenta-se de sementes e insetos e no inverno é freqüente ser visto em pequenos grupos, em busca de grãos nas proximidades de granjas.
No verão, época de acasalamento, insetos sabem quando vai chover e saem da terra. As andorinhas aproveitam e descem para o banquete.
O vento muda de direção, a pressão diminui e a umidade do ar aumenta. Sinal de que a chuva vai cair. Cupins e formigas percebem que é hora de iniciar a revoada de acasalamento. Às vezes se atrasam e só saem quando o solo encharca. De um jeito ou de outro, atraem aves com fome. Como as andorinhas costumam voar alto, chamam mais atenção.
As andorinhas descem em busca de cupins e formigas em revoada. Isso pode acontecer antes ou depois da chuva, no verão, quando esses animais voam para se reproduzir. Eles é que percebem as variações da umidade relativa do ar e saem em bando do chão. As aves apenas são atraídas pelo banquete. O beija-flor é uma das aves mais versáteis da natureza, capaz de desacelerar o próprio metabolismo para poupar energia, ou de ficar imóvel no ar como um helicóptero, além de também ser um habilidoso construtor de ninhos.
A área construída, geralmente circular, com um raio de 3 ou 4cm, poucas vezes alcança 10cm2. E a construção é tão frágil quanto poderia ser amarrada com fios de teia de aranha, coletados com paciência nos jardins ou nas matas e, colados com saliva sobre materiais quase tão leves como o ar. Os mais comuns são chumaços de paina, fiapos de musgos e liquens, e lascas tiradas da raiz ou da casca de diversas plantas. Esse é o material exigido pelos cinco projetos de ninho, idealizados pelos beija-flores. A classificação foi feita pelo naturalista capixaba Augusto Ruschi, especialista em beija-flores, mais conhecido por sua morte trágica, intoxicado por uma rã venenosa, em 1986.
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