O Sardão
(Lacerta lepida daudin, 1802)



Reinaldo Ribeiro de Santana
Clique aqui para imprimir

Descrição
O corpo é longo, delgado, com quatro membros bem desenvolvidos providos de patas com cinco dedos e cauda longa, compondo 2/3 do comprimento total.

A cor de fundo é de um belo tom verde-esmeralda, semelhante à do lagarto-verde (Lacerta viridis), já aqui apresentado (Revista Mania de Bicho nº 96, Outubro de 2005). Entretanto, este possui diversos ocelos de cor marrom ou azul-marinho com a parte central de cor azul-turquesa que começam no pescoço e continuam pelo pelo dorso e flancos e prosseguindo por boa parte da cauda, daí ser também conhecido como lagarto-ocelado, nome também derivado de seu antigo nome científico, Lacerta ocelatta, que ainda pode ser encontrado na literatura mais antiga.

O ventre, a começar da garganta, é de cor branca ou creme, sem manchas. O dorso tem ainda pintas escuras espalhadas irregularmente entre os ocelos. O seu comprimento total varia segundo a localidade: de 50-60 cm (França, Itália) a 80-90 cm (Espanha, Portugal). Os maiores exemplares são encontrados na Serra Nevada, que fica no sul da Espanha. O lagarto-ocelado é o maior lagarto europeu, ficando o lagarto-verde com o segundo lugar.

Distribuição Geográfica
O sardão é um lagarto típico da Península Ibérica, distribuindo-se de Portugal, Espanha, centro-sul da França até o sul da Itália. Na Argélia, Marrocos e Tunísia, em regiões montanhosas até a faixa litorânea, no chamado matagal mediterrâneo existe outro lagarto-ocelado, que antigamente era considerado uma sub-espécie, Lacerta lepida pater, mas que agora é considerado uma espécie à parte, Lacerta pater.

Habitat
O lagarto-ocelado prefere locais abertos com muitas moitas e arbustos e algumas árvores, onde pode abrigar-se do sol muito forte ou de algum inimigo, se avistá-lo à distância.

É um lagarto típico do matagal mediterrâneo mas pode ser encontrado também nos bosques abertos, evitando os mais fechados. Procura também os locais pedregosos com vegetação herbácea e arbustiva em redor, porquê entre as rochas há sempre bons locais para refúgio e também ótimos pontos para aquecer-se ao sol. Às vezes sobe em alguma árvore, mas o faz menos que o lagarto-verde.

Os filhotes e jovens são comumente encontrados próximos de riachos ou de lagoas, porém os adultos frequentam locais mais secos, muito embora possam ser vistos também próximos à água e se precisarem de nadar fazem-no muito bem.

Hábitos e Alimentação
O sardão é um animal predominantemente diurno. Começa o dia expondo-se ao sol até atingir a temperatura adequada para sair em busca de suas presas, em grande parte composta por insetos variados, aracnídeos e miriápodes. Incluem lesmas e caracóis no cardápio. Na verdade, os itens alimentares variam muito de acordo com o tamanho do animal, época do ano e do tipo de ambiente em que vive. Em regiões mais áridas e arenosas, por exemplo, boa parte de sua alimentação recai em besouros da família Tenebrionidae e Scarabidae, incluindo poucos ortópteros (grilos, gafanhotos) e quase nenhum molusco, que são escassos nestas áreas.

Em locais mais úmidos o número de gafanhotos, formigas e outros grupos de insetos já assumem um papel mais importante. Pequenos lagartos, cobras, camundongos, ovos e filhotes de aves que nidificam no chão também são incluídos, em maior ou menor escala dependendo do ambiente e época do ano. Frutas doces e flores complementam sua dieta e podem até ser muito consumidas em regiões mais secas, principalmente no começo do outono, quando o número de insetos começa a declinar.

Alguns estudos levam a crer que o sardão em locais secos e quentes pode ter hábitos crepusculares. O grande número de besouros consumidos nestes locais, de tipo que possuem atividade crepuscular e noturna, dá indícios disso. Como em tais locais o chão arenoso destaca os corpos escuros dos besouros, mesmo ao cair da noite, poderia ser a hora certa para que sejam procurados pelos lagartos, que, devido a alta temperatura, poderiam ainda estar ativos neste período. A presença de restos destes lagartos nas fezes de corujas que ocorrem nestes locais também apontam para esta teoria, coisa que quase não ocorre em ambientes mais úmidos e frescos.

Os seus principais inimigos são as aves de rapina diurnas, algumas com porte suficiente para caçar mesmo indivíduos adultos. Algumas cobras caçam sardões filhotes e jovens regularmente também. Certos mamíferos como os mangustos (Herpestes icneumon) por exemplo, também. Mas o pior de todos ainda é o homem, que destrói principalmente o seu ambiente para a agricultura, loteamentos etc.

Pode ocasionalmente ser caçado pelo homem para o consumo mas isso, pelo menos nos dias de hoje, já é difícil. Quando o sardão consome frutos ingere também as sementes, que passam inalteradas pelo seu trato digestivo e dessa forma saem nas fezes. Desta forma, o sardão ajuda na dispersão das sementes de determinadas plantas.

Em Cativeiro
O sardão adapta-se muito bem em terrários, que devem ser espaçosos, com medidas mínimas de 100 x 50 x 50 cm se bem que quanto maior o recinto, melhor.

O terrário pode ser plantado, usando-se plantas que apreciem uma temperatura na faixa dos 28-30ºC e umidade em torno de 60-70%. Devemos colocar troncos secos e pedras de modo a formar esconderijos onde ele poderá passar a noite. É recomendável o uso de rochas aquecedoras (Rock Heater) ou emissores de calor (Ceramic Emiter) direcionados para algum ponto do terrário onde ele poderá aquecer-se, ou ainda, se preferir, uma lâmpada tipo “spot” (Bask Lamp) usada da mesma forma. Uma lâmpada fluorescente que tenha raios UVA e UVB é indispensável, a não ser que o terrário receba luz solar direta em algum ponto, que não seja filtrada pelo vidro.

Uma vasilha de água, trocada diariamente, não deve faltar, e aproveitamos neste caso para adicionar algumas gotas de polivitamínico para répteis.

A alimentação será composta basicamente por rações próprias, e acrescida eventualmente com insetos como grilos, larvas de tenébrio, baratas criadas em cativeiro, ovos cozidos (clara e gema), pedaços de coração bovino crú, fígado bovino, crustáceos liofilizados como por exemplo o gammarus, além de pedaços de bananas, pêras, maçãs, amoras etc para variar a dieta.

No recinto podem conviver um macho e uma ou duas fêmeas, mas nunca se devem colocar dois machos no mesmo território, porque certamente haverá lutas em que eles se machucarão seriamente.

O sardão habitua-se a quem o trata e torna-se dócil suficiente para ser pego com as mãos. Reproduz-se com certa facilidade em cativeiro e vive por muitos anos, tornando-se um belo e manso companheiro.

Referências Bibliográficas
Burton, Dr. Maurice. Encyclopedia of Repitiles, Amphibia & Other. Cold-blooded Animals. Octopus Book Limited. Londres, 1975.

Breen, John F. Encyclopedia of Reptiles and Amphibians – Habits and Care. USA. T.F.H. Publications, Inc. 1994.

Moenich, David R. Lizards. T. F. H. Publications, Inc. USA, 1995.

Hvass, Hans et Jacques Arnould. Los Reptiles du Monde Entier. Fernand Nathan, Paris.


http://www.maniadebicho.com

© 2001 - MARINNES INFORMÁTICA