|
A família dos ursídeos, pertencentes à Ordem Carnívora, é típica do hemisfério Norte, possuindo um único representante ao Sul da linha do Equador, que ocorre na Cordilheira dos Andes. Entre os representantes do hemisfério norte as espécies de maior porte sempre chamaram mais a atenção do homem, como o Grizzli, o Kodiak e os Ursos Pardos Siberianos. Embora não tendo um parentesco tão próximo com estas espécies de grande porte, um outro gigante se destaca não só pelo seu tamanho, mas também pela sua pelagem, considerada de uma beleza ímpar: estamos nos referindo ao Urso Polar, também chamado Urso Branco do Ártico.
É a única espécie da família Ursidae que habita exclusivamente o círculo polar Ártico, na banquisa de gelo que cobre o oceano, enquanto as demais espécies ocorrem um pouco mais ao sul, entre a tundra e a taiga (a tungra é um ecossistema típico das regiões árticas, de vegetação rasteira formada por musgos e líquens, enquanto a taiga é a típica floresta de pinheiros que ocorre no Canadá e no norte da Eurásia), alimenta-se sobretudo de focas, mas também entram na sua dieta cetáceos (baleias, belugas etc), peixes, crustáceos, moluscos e ainda carnívoros de menor porte como a raposa do Ártico. Adaptado ao tipo inóspito deste ecossistema, que oferece poucas opções de alimento e de abrigo, podemos considerá-lo extremamente bem sucedido e ao mesmo tempo muito especializado, já que não teria condições de sobreviver em outro ambiente.
Entre as principais adaptações podemos citar a sua capacidade para natação, bem mais desenvolvida do que em outras espécies de ursos, contando com a existência de membranas entre os dedos. Esta capacidade permite que ele se desloque de uma placa de gelo flutuante para outra com relativa facilidade e rapidez, tanto para buscar abrigo ou alimento, como para retornar ao ponto onde dormiu depois de ter sido levado pelas correntes marítimas até muitos quilômetros de distância (algo que ocorre com uma certa freqüência durante o verão do Ártico, pois o gelo se desprende em placas formando pequenos icebergs que flutuam ao sabor das correntes levando consigo ursos ou focas que dormiam sobre eles). Outra adaptação é a cor branca ou bege muito clara da sua pelagem, que tem dupla função: camuflagem no fundo branco da neve e isolamento térmico, pois os seus pêlos possuem uma camada transparente que absorve o calor solar e reflete a luz branca. Ainda como adaptação está a sua capacidade de reter gordura no organismo; esta é talvez a mais importante das adaptações, pois a camada de gordura sob a sua pele é tão densa que impede a perda de calor para o ambiente além de servir como reserva energética para os longos períodos sem alimentação.
A ursa polar dá a luz à duas ou três crias em pleno inverno Ártico. Para tanto, escava na neve uma espécie de caverna ou toca que depois de fechada pela queda de neve mantém-se com uma temperatura menos rigorosa do que a do ambiente externo, que chega a de 40ºC negativos; nestas condições passa a maior parte de sua gravidez, sobrevivendo graças a reserva de gordura acumulada durante a primavera e o outono. Ao nascerem, os ursos possuem olhos fechados e permanecem no interior da toca escavada pela mãe vivendo exclusivamente da amamentação após cerca de duas semanas; já com os olhos abertos iniciam as primeiras explorações fora do abrigo. Nesta época a fêmea encontra-se no limite das suas forças e precisa urgentemente conseguir alimento para si mesma e para os filhotes; inicia-se então uma longa jornada atrás de alimento durante a qual é freqüente a morte da maior parte da ninhada. Neste período as presas mais comuns são focas que emergem de buracos no gelo para respirar, no entanto é também uma das situações mais difíceis para que a ursa obtenha sucesso nas suas investidas, daí a alta taxa de mortalidade dos filhotes. Também durante este período é comum o ataque de grandes machos adultos e famintos aos filhotes, que nem sempre podem ser defendidos pela mãe.
Freqüentemente os ursos são acompanhados pelas raposas do Ártico, que procuram manter uma distância segura, para aproveitar as sobras das caçadas, podendo muitas vezes tornarem-se elas mesmas ? o prato do dia?.
Durante o curto verão Ártico, os sobreviventes do longo período de escassez alimentar renovam suas energias com a relativa abundância de carne e também da menor dificuldade em obtê-la: freqüentes encalhes de baleias no litoral facilitam muito a vida não só dos ursos mas também das raposas e gaivotas. Além disto, as focas se tornam mais vulneráveis, reunindo-se em colônias para reprodução, sem a proteção da espessa banquisa de gelo. Tudo isso permite aos ursos recuperarem suas forças e acumularem gordura para o longo período de dificuldades do próximo inverno.
É também durante esta fase do ano que os machos disputam territórios devido ao cio das fêmeas e durante estas disputas freqüentemente os mais jovens são expulsos para territórios muito distantes daqueles que percorreram junto com a mãe durante a fase de crescimento. Inicia-se então um período de vida solitária até atingir a idade adulta, quando terá condições de disputar território e alimento com os outros machos.
Embora não sejam considerados ameaçados de extinção, os ursos possuem populações bastante rarefeitas, ou seja, não são muito abundantes devido a própria natureza do seu habitat que não permite uma grande densidade populacional em vista da pouca disponibilidade de alimento.
|