Ficha
Outros Nomes: Dogo
País de Origem: Argentina
Porte: Raças Gigantes: 45 a 90kg
Classificação FCI: Grupo 2: Pincher, Schnauzer, molossóides, Boiadeiros e Montanheses Suíços e Raças assemelhadas - Seção 2: Molossóides - 2.1. Tipo Mastife.
Utilização: Caça e Guarda
Características Básicas: Intrépido, ágil, vivaz, inteligente, robusto, guerreiro, silencioso, dominante, independente e resistente.

Histórico
Enquanto a maioria das raças de cães tem sua origem incerta, o Dogo Argentino surgiu na província de Córdoba, região mediterrânea do território da República Argentina, de cruzamentos intencionais, registrados desde o início pelo seu criador, Antônio Nores Martinez, que parece ter recebido como herança de seu pai o interesse por brigas de cães, prática comum a variadas classes sociais na época. Levando em conta também a sua paixão pela caça, seu objetivo era criar uma raça insuperável nos combates e nas caçadas de animais ferozes como pumas, pecaris, javalis dentre outros. Partiu então de uma fêmea de “Velho Cão de Briga Cordobês” (Viejo Perro de Pelea Cordobès), raça com exemplares normalmente brancos, com a característica marcante de lutarem nos combates até a morte, sem recuar em nenhuma circunstância.
O cão “imbatível” ainda precisava do sangue de outras raças que lhe trouxeram características como a intrepidez e resistência do Bull Terrier, a insensibilidade à dor do Buldogue Inglês, a agilidade, equilíbrio e vivacidade do Boxer e o instinto caçador e o olfato apurado do Pointer Inglês.

O seu porte ganhou a estrutura, robustez e rusticidade de cães como o Dogue Alemão, Irish Wolfhound e Mastim dos Pirineus, este lhe conferindo também uma grande adaptabilidade às intempéries. O Dogue de Bordeaux, que lhe transmitiu a poderosa mordedura e estrutura óssea craniana não pode participar dos cruzamentos com freqüência, visto que comprometia a cor da pelagem, gerando indivíduos de pelo amarelado a fulvo, fugindo da coloração branca, condição inegociável ao resultado final desejado.
Nessas bases, surge oficialmente em 1928 o Dogo Argentino com o padrão redigido pelo seu próprio criador, sendo apresentado em uma reunião de caçadores na Associação local, abrindo caminho para a conquista de mais admiradores.
Tempos mais tarde, com o falecimento do Dr. Antônio Nores Martinez, coube ao seu irmão Augustin prosseguir com o aprimoramento e a divulgação da raça, e em 21 de maio de 1964 se deu o seu reconhecimento pela Federação Cinológica Argentina e pela Sociedade Rural Argentina, iniciando sua inscrição com a abertura do seu “Registro Geneológico”.
A FCI publicou em 31 de julho de 1973 o padrão oficial para o Dogo Argentino, reconhecendo-o em 1975 como primeira e única raça de origem Argentina.

Aparência
Molosso vigoroso com musculatura poderosa sem dimensões gigantescas, garantindo a harmonia entre o esbelto e o robusto. Ossatura consistente, compacta mas ágil e forte. A pele espessa se movimenta levemente solta e elástica, envolvendo os traços suaves dos músculos na estrutura elegante. Essa pelagem grossa funciona como uma espécie de camada isolante capaz de proteger as zonas musculares e terminações nervosas de atrito e impacto, ampliando a resistência à dor.
Em volta do pescoço essa proteção se intensifica pela maior elasticidade, espessura e pela presença de rugas, garantindo-lhe a capacidade de virar a cabeça defendendo-se com mordidas, livrando-se de possíveis imobilizações. A sua mandíbula é controlada através de uma musculatura vigorosa, permitindo-lhe o fechamento da boca com agilidade e potência assustadoras, fazendo com que abocanhe sua vítima sem soltar, limitando-se a respirar pelo canto da boca por longo período, caso necessário.
De cor branca, pode conter uma única mancha escura até o preto na área dos olhos, contanto que seja inferior a 10% da região craniana.
O pelo é liso, curto e macio entre 1,5 a 2cm de comprimento, podendo haver subpelo em indivíduos adaptados a regiões de clima frio, enquanto que nas regiões mais quentes a pelagem é mais fina e rala, possivelmente proporcionando a visualização de áreas pigmentadas da pele do animal, situação esta prevista e aceita pelo padrão da raça, exceto pelas excessivamente pigmentadas.

As bordas das pálpebras e mucosas labiais preferencialmente devem ser pretas de forma mais homogênea possível. A trufa com pouca pigmentação é uma falta grave, ou eliminatória se totalmente despigmentada.
Pelagem longa, olhos azuis ou bicolores também não são admitidos. Os machos têm de 62 a 68cm e as fêmeas entre 60 e 65cm.
A cauda em forma de sabre é grossa e longa sem ultrapassar os jarretes, caindo naturalmente em “til” quando em repouso.
As orelhas triangulares deverão ser cortadas, mantendo-se eretas. Olhos são escuros ou cor de Avelã.
Temperamento
Valente, ágil e corajoso. Responsivo e inteligente. Ladra pouco e não deve demonstrar agressividade, e seu caráter guardião e combatente não permitirá a entrada de estranhos não autorizados nos seus “domínios”.
Aptidões
Extremamente versátil. Guardião nato, cão policial, militar, caçador, cão de busca e salvamento.
Na guarda a cor branca lhe traz a vantagem de ser facilmente visualizado por invasores, inibindo possíveis investidas pela força da intimidação, e ainda na caça facilita a sua localização pelo caçador ou se camuflando com facilidade na neve. Por outro lado, a desvantagem estaria em também se tornar visível aos olhos da caça em terrenos com vegetação e/ou solo de coloração diferente da sua, incentivando sua fuga. Entretanto, o seu estilo silencioso, a agilidade e a grande força propulsora, aliados à facilidade em localizar a presa farejando o ar, e não seguindo o rastro, são capazes de driblar essa situação.
O fato de ser um “farejador do vento” característica do Pointer, seu antepassado inglês, o torna apto a perseguir sua pista sem perder a orientação em caso de trilhas variadas, perseguição em em áreas de riacho ou parcialmente alagadas.

Não se intimida com grandes extensões, nem com áreas difíceis, já que está equipado com almofadas plantares com calosidades bastante espessas, capazes de suavizar o atrito em qualquer tipo de terreno, garantindo aderência em locais mais escorregadios e insensibilidade ao correr sobre pedras e galhos espinhosos.
Educação
Firme, com liderança, sem agressividade. Aceita bem adestramento, inclusive treinamento avançado de obediência, ataque e defesa, como o que recebe na polícia Federal Argentina onde é utilizado como patrulheiro. Se educado de forma adequada, verá o dono como um verdadeiro mestre, jamais esboçando qualquer tipo de reação contrária ao ser punido.
Convívio
Dominante, não aceita cães do mesmo sexo e precisa de uma educação firme e um proprietário experiente que se imponha como líder sem a utilização de métodos agressivos.
Aprende com facilidade, e aceitará as visitas na presença do dono. É um companheiro fiel inclusive com as crianças da casa, mas pelo seu porte, deve ser sempre observado durante as brincadeiras com os pequenos. Late somente em situações extremas, como por exemplo ao pressentir alguma ameaça ao seu dono ou a si próprio.
Necessidades
Espaço é fundamental para este atleta. Sua musculatura e seu temperamento exigem muito exercício e interatividade com os donos, e ganham o dia ao participarem de caminhadas, ou esportes radicais. Não suporta longos períodos de solidão, necessitando de contato diário com a família.
É um cão naturalmente limpo, precisando de banho quando realmente necessário. Escovação semanal e as orelhas devem ser cortadas após o segundo mês de vida.

Enfermidades
Extremamente rústico e naturalmente saudável. Os únicos problemas genéticos mais comuns são a surdez e a displasia.
A pele branca requer muitos cuidados com a exposição aos raios solares, podendo causar queimaduras e dermatites, havendo necessidade da utilização de filtros solares em situações especiais.
Houve casos em que alguns exemplares que ficaram paralíticos em decorrência de má compressão entre as vértebras da coluna, todavia esse problema há muito não vem se repetindo nas linhagens atuais.