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Coronavirose Canina

Francisco Vilardo


O Coronavirus canino foi isolado pela primeira vez em 1971, em cães com diarréia durante um surto ocorrido na Alemanha. Os episódios de gastroenterite viral ocorrem em praticamente todos os países do mundo desde 1978. Estudos clínicos e virológicos permitiam demonstrar na maioria dos casos uma relação causal entre os Parvovírus canino e gastroenterite hemorrágica. Em muitos dos casos, havia o envolvimento do Coronavirus. Os primeiros casos de Coronavirose foram relatados a partir de 1988, São Paulo.



Embora as infecções mistas se constituam freqüentemente pelo Parvovírus e Rotavírus, são bastante sensíveis aos desinfetantes comuns. Entretanto, são resistentes às baixas temperaturas, causando um aumento dos episódios da doença durante os meses de inverno. O Coronavírus é ácido-resistente, o que conta para sua habilidade de sobreviver durante a sua passagem pelo estômago.

Como regra geral, a infecção pelo Coronavírus apresenta baixa taxa de morbidade e letalidade, acometendo principalmente cães com menos de 1 ano de idade; entre os quais pode se manifestar de uma forma mais grave. Como regra geral, a infecção é benigna sendo raramente fatal.

A Coronavirose canina é altamente contagiosa, e disseminada rapidamente, principalmente em canis, entre os animais suscetíveis. O vírus é eliminado nas fezes dos cães infectados por um período de duas ou mais semanas, e a contaminação fecal do ambiente é a principal via de transmissão da doença. O Coronavírus canino tem uma relativa especificidade aos hospedeiros, podendo infectar tanto cães como canídeos selvagens.

A superpopulação, as más condições sanitárias e outros estresses ambientais parecem aumentar a incidência da infecção e da doença na forma clinica.



Alguns vírus podem se associar ao Coronavírus (Parvovirus, Rotavirus, Adenovirus, Enterovirus), bem como outros microorganismos da microflora entérica (Clostridium spp., Campilobacter spp., Salmonella spp.) podendo assim aumentar a severidade do quadro clínico.

A Coronavirose é altamente contagiosa, e a infecção ocorre pela via oral, não havendo a fase sistêmica, como ocorre na infecção por Parvovírus. O período de incubação pode variar de 1 a 4 dias. Sendo ácido-resistentes, os vírus atingem as primeiras porções do intestino delgado em 48 horas. O vírus penetra nas células da mucosa intestinal e se multiplicam no seu interior. Com isso, a perda de enzimas digestivas e da capacidade de absorção resultam nas diarréias.

Os sinais de infecção pelo Coronavirus podem variar desde uma sintomatologia inaparente, até uma gastroenterite aguda e fatal.

É impossível distinguir apuradamente, pela sintologia clínica, qual dos vários agentes etiológicos de gastroenterites podem estar envolvidos. Em comparação com a Parvovirose, a Coronavirose parece ser menos severa e mais crônica e intermitente, é muito contagiosa e dissemina-se rapidamente pela população canina. Anorexia (perda de apetite) e letargia podem ser seguidos de vômitos, que podem durar de 1 a 12 dias. A diarréia se inicia simultaneamente, e pode variar na sua consistência, de pastosa a aquosa. Pode apresentar uma coloração amarelo-esverdeada, alaranjada, odor fétido e quantidades variáveis de muco, podendo ser hemorrágica.



Os cães normalmente se recuperam num período de 7 a 10 dias; entretanto, a diarréia poderá persistir intermitentemente por 3 a 4 semanas.

Os filhotes podem ficar seriamente desidratados, mesmo com uma fluidoterapia precoce, porem a taxa de mortalidade é baixa, onde a morte pode ocorrer principalmente em filhotes muito jovens, e poucos óbitos ocorrem em animais adultos. O estresse e outras infecções simultâneas podem aumentar a severidade dos sinais clínicos. O surgimento de febre no decurso da doença pode significar a instalação de bacteremia e/ou enterotoxemia a partir da mucosa intestinal lesada.

Não é fácil se chegar ao diagnostico da Coronavirose canina. Os sinais clínicos atribuídos a infecções pelo Coronavirus são variáveis e similares aos sinais de gastroenterites causados por outros vírus. O diagnostico nosológico (do agente causal) é baseado na anamnese e exame clínico, não havendo alterações hematológicas ou bioquímicas significativas.



A confirmação da infecção não é necessária para que uma terapia de suporte adequada seja iniciada. Como resultado de uma diarréia por Coronavirose, pode ocorrer uma perda de eletrólitos, desidratação, acidose e choque; entretanto, na maioria dos casos, estes sinais são brandos. Nestes casos, é iniciada uma fluidoterapia para reposição de líquidos e eletrólitos, controle de vômitos, diarréia e uso de antibióticos para evitar infecções secundárias.

A questão do porque, os cães com um histórico adequado de vacinação, desenvolvem uma gastroenterite e, muitas vezes vem a sucumbir, tem sido discutida por vários pesquisadores no mundo inteiro. Embora não tenham sido ainda formuladas respostas definitivas, as duas explicações mais comuns giram em torno dos anticorpos maternos numa resposta imune ao Coronavirus canino após a vacinação, e as múltiplas etiologias associadas ao “Complexo Gastroenterite Canina”. Outros fatores a serem incluídos, seriam:
- a cepa (variedade) do vírus e a sua virulência (força de causar a doença);
- a suscetibilidade de certas raças à infecção.

Embora a suscetibilidade de raças ao Coronavirus não tenha sido ainda relatada, foi observado que certas raças de cães são mais suscetíveis à infecção do Parvovirus (por exemplo Rottweiler e Dobermann), e podem não responder adequadamente a um programa de imunização. Esta observação pode ser certamente aplicada para outras formas de infecção microbiana, permitindo que o Coronavirus seja mais virulento nessas raças.



A imunização ativa dos animais suscetíveis constitui-se no melhor método de prevenção de moléstias infecciosas.

O primeiro método de imunização consiste na vacinação das fêmeas antes da prenhez, com o objetivo de se estimular altos títulos de anticorpos colostais e, de tal modo, induzir uma imunidade lactogênica contra as possíveis infecções a nível intestinal.

A segunda maneira de se proteger seria estimular a imunidade sistêmica e local através da vacinação dos filhotes e dos animais suscetíveis.

Atualmente o esquema de vacinação mais utilizado é o que se inicia aos 45 dias de idade, com uma vacina que “engana” os anticorpos maternos, estimulando a produção dos anticorpos pelo próprio organismo dos filhote. Uma segunda dose da vacina é aplicada aos 60 dias de idade e, a partir daí, são aplicadas mais duas ou três doses com intervalos de 30 dias. É importante salientar que anualmente deve ser dado um reforço da vacina para manter os níveis de anticorpos em numero adequado a proporcionar uma boa imunidade ao final.



Deve-se ainda manter o animal em níveis higiênico-sanitários satisfatórios, seja através de um esquema adequado de desverminização como manter todas as vacinas em dia. Visite seu veterinário ao menos duas vezes por ano.



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