O Grupo 2 da FCI - Federação Cinológica Internacional (Fédération Cynologique Internationale), que compreende os cães Pinscher e Schnauzer, Molossóides, Boiadeiros e Montanheses Suíços e raças assemelhadas, está subdividido em três seções, que são a Seção 1, de raças do tipo Pinscher e Schnauzer; Seção 2, de Molossóides; e a Seção 3, de Boiadeiros e Montanheses Suíços.
Neste Grupo estão classificados cães como o Cane Corso, Cão dos Pireneus, Affenpinscher, Boiadeiro Bernês, Buldogue, Dogue Alemão, Boxer, Dogo Canário, São Bernardo, Bulmastife, Schnauzer, Sharpei, Terra Nova, Dobermann, Rottweiler, entre outros.

Saiba um pouco sobre algumas dessas raças.
Ficha:
Nome no Brasil: Shar Pei
Nome de Origem: Shar Pei
Outros Nomes: Chinese Fight Dog
País de Origem: China
Porte: Raças médias - entre 10 e 25kg
Classificação FCI: Grupo 2 - Pinscher e Schnauzer, Molossóides, Boiadeiros e Montanheses suíços e raças assemelhadas. Seção 2 - Molossóides - 2.1 tipo Mastife
Utilização: Defesa, guarda e companhia
Características Básicas: Calmo, independente, leal e afetuoso com a família
Histórico:
De origem anterior a Era Cristã, os Shar Peis habitavam as regiões oceânicas do sul da China, possivelmente na cidade de Dialak, na província de Kwun Tung. Era utilizado como caçador, vigia de rebanhos, guardião de templos e ainda como cão de combate, já que a raça apresentava exemplares bem maiores naquela época, além de sua pelagem solta lhe proporcionar vantagem contra as investidas de ataque e imobilização dos cães adversários.
O Shar Pei está entre as raças mais antigas já conhecidas, embora isso não pareça ter contribuído para a sua popularidade. É um verdadeiro “sobrevivente” de uma história mais do que "difícil" e correndo por várias vezes risco de extinção. Recebeu do Guinness Book o título de cão mais raro do mundo nos anos 70. Enfrentou a revolução comunista de Mao Tse Tung após 1949, que estipulou impostos absurdos aos proprietários de cães e outros animais que não comprovassem sua utilização exclusiva e fundamental para o trabalho. A existência de "Pets" passou a ser inaceitável a uma população que sofria com a fome.
Resistiu ao conseqüente sacrifício em massa de cães naquela época, e também à cultura de um país que adquiriu o hábito de se alimentar de carne canina.
Outro ponto que dificultou a conservação da raça original foi a dura realidade de desnutrição que os poucos exemplares restantes enfrentavam, mesclado simultaneamente ao problema da consangüinidade, já que havia um pequeno número de cães puros para futuros cruzamentos, e ainda aos acasalamentos ocorridos com outras raças como o Buldogue Inglês, Bullmastife e Bull Terrier, que resultassem em cães mais promissores para as rinhas.
Nos anos 70, após apelos chineses, vários exemplares foram enviados para os EUA, onde criadores norte-americanos iniciaram um trabalho de preservação da raça. Infelizmente, poucos exemplares mantinham as características originais, e a troca de informações para o resgate de um Shar Pei "ideal" era muito complicada, o que colaborou ainda mais para a existência de tipos físicos variados, justificando tantas alterações nos padrões estabelecidos para a raça até hoje.
Apesar de todo esse histórico conturbado, o Shar Pei conseguiu resistir e impor sua presença cativando um bom número de fãs, e demarcando seu território na mídia sem se tornar comum, mas que até mesmo aqueles que não sabem nada sobre cães reconhecem a raça, ainda que sequer saibam o seu nome.

Nos anos 80, filhotinhos enrugados ganharam as lentes da fotógrafa Anne Guedes com bebês cheios de dobrinhas em quadros apaixonantes que logo abriram caminho para postais e cartões com Shar Peis em situações carismáticas. Na mesma ápoca a apresentadora Xuxa Meneghel mostrou seu filhote na "telinha", com direito a uma música exclusiva chamada "O meu querido Xuxo". Simultaneamente uma intensa onda publicitária tomou vários países, inclusive o Brasil, muitos visando o marketing de uma carinha meiga e tristonha, e outros com o interesse real em salvar o cão enrugado da língua azul.
Perfil:
Dono de uma aparência completamente inusitada, o Shar Pei é um cão de tamanho médio, compacto, curto e quadrado, com rugas sobre o crânio e a cernelha. Musculoso sem ser atarracado.
O focinho é típico da raça lembrando o "nariz" largo de um hipopótamo. A cabeça deve ser larga e arredondada, com orelhas bem pequenas, triangulares apontando para os olhos.
Outra marca registrada é a língua preto azulada, assim como toda a mucosa bucal. Manchas rosadas na língua são permitidas, mas totalmente rosa é altamente indesejável e considerado falta desqualificante em exposições. Nos cães de pelagem clara (diluída) a língua deve ser "lavanda sólido", como se fosse o lilás de uma língua azul "clareada".
Com exceção do branco todas as cores sólidas são permitidas e um leve sombreamento sobre o dorso e as orelhas é admissível. Atualmente, alguns criadores seguindo influência de outros canis norte-americanos, vêm apostando nos exemplares bicolores, chamados Flowereds, mas esses cães são desqualificados em exposições por não serem permitidos pelo padrão oficial da FCI - Fédération Cynologique Internationale.
O nome Shar Pei significa pele de areia, e está associado à pelagem reta e separada, com pêlos curtos, duros e eriçados, tornando-se mais assentados em direção às patas. Não possuem sub-pêlo, e o comprimento varia entre 1 a 2,5cm.

Existem 3 tipos distintos de pelagem para a raça. O "tradicional" Horse Coat, com pêlos entre 1 e 1,5cm, costuma ser o mais procurado pelos brasileiros, apesar de ser extremamente áspero quando o cão é acariciado contra o sentido dos pêlos, sendo propenso a causar incômodos na pele dos donos que mantiverem maior contato físico com seus cães, ou até mesmo facilitando o aparecimento de irritações nos próprios animais. O Brush Coat, com pêlos entre 1,5 e 2,5cm, é o mais indicado para quem tem crianças ou quem manterá o cachorro dentro de casa, já que a pelagem dificilmente causará alergias ou desconforto nos donos ou nos cães. O Bear Coat, embora não aceito pelo padrão da raça e não possa participar de exposições, possui pêlos macios e sedosos que ultrapassam 2,5cm. Este tipo de Shar Pei só deve ser acasalado com a supervisão de criadores experientes. Um Bear Coat pode ser tanto um trunfo para se conseguir exemplares Brush Coat com uma bela estrutura física, quanto para gerar filhotes que se distanciarão cada vez mais dos objetivos estabelecidos como padrão para a raça.
Esse antigo caçador é atualmente utilizado na guarda e na defesa, mas se destaca principalmente como um bom companheiro. Independente mas leal e afeiçoado aos donos, é um cão calmo e extremamente limpo. Late pouco e costuma ter problemas com outros cães dominantes. Adora crianças mas não tem fôlego e as vezes ânimo para brincadeiras mais "arrojadas".
Pode se adaptar a qualquer espaço sem a necessidade de longas caminhadas. Não rejeita estranhos, mas não é de aceitar novos amigos facilmente. Dentre os problemas mais comuns da raça estão as dermatites, micoses e seborréia, ocasionadas principalmente por exemplares com excesso de dobras. Por esse motivo, o padrão da raça atual permite apenas rugas sem excesso do crânio até a cernelha.
Outro problema causado principalmente pelas rugas é o entrópio, deformando as pálpebras e cílios em direção ao globo ocular, podendo agravar a situação para um quadro que levará à cegueira.
Podem apresentar também hipotiroidismo, hipertermia (retenção de calor por causa da espessura da pele), prognatismo (irregularidade na arcada dentária), desvio de palato (céu da boca com anomalia que agrava os problemas do ronco).
O maior cuidado deve ser para a escolha de filhotes sem o histórico de febre familiar. A forte consangüinidade promovida para a recuperação da raça acarretou um problema genético grave e incurável que acaba levando o animal a morte devido o acúmulo de toxinas proveniente do mau funcionamento do fígado e dos rins.
Não abra mão de pesquisar bastante sobre a história dos criadores e dos familiares do filhote que você pretende adquirir. Seja qual for o cão da sua escolha, isso será muito importante na eliminação de problemas genéticos e na preservação de grandes exemplares de todas as raças.
Ficha:
Nome no Brasil: Dogue do Tibete
Nome de Origem: Do Kyi
Outros Nomes: Tibetan Mastiff, Cão Montanhês do Tibete
Porte: Raças Gigantes – de 45 kg a 90 kg
Classificação FCI: Grupo 2 - Pinscher e Schnauzer, Molossóides, Boiadeiros e Montanheses suíços e raças assemelhadas. Seção 2 - Molossóides - 2.2 tipo Montanhês
Utilização: Cão pastor, guarda e companhia
Características Básicas:
Dócil e afetuoso com os donos, mas sem fazer o estilo “pegajoso”, mantendo uma postura mais tranquila e independente, sendo desconfiado e até agressivo com estranhos.
É teimoso e tem amadurecimento tardio, precisando de uma educação precoce, firme e paciente.
Histórico:
Assim como é caso de muitos molossos encontrados na atualidade, e também de outras raças, o Dogue do Tibete tem sua origem no grande Cão do Tibete.

Seu nome de origem “Do Kyi” significa “Cão Atado”, ou seja, cão que você pode manter amarrado na entrada de casa, que era o hábito dos nobres e religiosos da região para que os filhotes se tornassem adultos mais ferozes, aptos ao trabalho de guarda.
No século XIX contou com o fundamental apoio britânico para a preservação e melhoramento da raça, que chegou à margem da extinção.