Este curioso anfíbio tem sido visto nas lojas de aquários com certa regularidade e tem causado curiosidade nas pessoas que o observam. Entre nós está sendo mais conhecido pelo nome científico, Xenopus laevis, ou como “rã-albina”, já que os exemplares encontrados à venda, todos oriundos de criações de cativeiro, são completa ou parcialmente albinos (ou xantocrômicos).

Pertencem à família Pipidae, portanto, são parentes próximos dos nossos “sapos-pipa” (Pipa pipa, Pipa carvalhoi e outros) que se distribuem pela América do Sul, no entanto, os Xenopus são originários da África Central e do Sul que, junto com seus parentes Hymenochirus e Pseudohymeno chirus formam uma subfamília diferente, Xenopinae. Mas como os nossos pipas (subfamília Pipinae) tem vida totalmente aquática e não possuem língua, característica única desta família.
O Xenopus laevis vive no sul da África em rios de corrente lenta, lagoas e charcos de áreas tropicais e subtropicais. Possui quatro longos dedos nas mãos e cinco dedos nos pés, estes munidos de membranas interdigitais, e com garras nos três dedos internos, daí o nome pelo qual é conhecido.
Com os dedos das mãos tateia o fundo dos locais onde vive à procura de pequenos crustáceos, vermes, larvas e insetos adultos aquáticos e até peixes e cadáveres.
As pernas, muito musculosas, é que impulsionam o animal para frente, ao nadar, ou para trás, num rápido impulso que serve para desviar-se de um possível ataque de um predador. Nestes momentos ele abre bem os dedos para dar boa sustentação do movimento graças às membranas bem desenvolvidas de que é dotado.

Normalmente não sai da água, mas pode, ocasionalmente, à noite, mudar-se do charco onde vive para outro local, quando sente que este está secando. Embora não tão rápido quanto na água, move-se sem embaraço entre a vegetação molhada de orvalho e consegue, sabe-se lá como, encontrar outro local mais propício. Entretanto, no mais das vezes, prefere cavar uma toca no lado do fundo onde fica retida alguma umidade para aí passar pela estação seca protegido. Ao que parece, é nestas horas em que vemos a utilidade de suas seis garras nas patas traseiras.
Normalmente o tamanho dos adultos situa-se entre 8-10 cm, contando-se apenas cabeça e corpo, mas as fêmeas, que sempre crescem mais, podem em alguns casos, chegar a 12,5 cm. A melhor forma de distinguir machos de fêmeas é observando as cloacas, que tem os lábios mais proeminentes nas fêmeas.
São ovíparos e prolíferos, de 500 ovos ou até mais, que são postos em meio à vegetação aquática. Os girinos levam até duas semanas para nascer, dependendo, claro, da temperatura ambiente, e mais uma semana para consumirem o saco vitelino, ficando neste período na superfície. Só depois, quando a boca estiver aberta, é que começam a nadar à procura de plâncton de origem vegetal e animal. Ficam adultos aos 3-4 anos.

Manter a rã-de-garras não é nada difícil. Como os exemplares à venda são juvenis, ofereça alimentos para peixes de boa qualidade, granulados e mesmo floculados, junto com ração para tartarugas (depois de amolecidos pela água), artêmias adultas, enquitréias, alimentos em pasta e pequenos pedaços de carne, fígado crú e peixe cozido.
Podem ser colocados com peixes, desde que não sejam agressivos, já que sua pele é muito delicada e facilmente podem ser feridos. Também não devem ser colocados com peixes muito pequenos, já que ao crescerem podem atacá-los, sobretudo à noite.
O aquário deve ter medidas de no mínimo 50 x 25 x 30 cm, dotado de filtragem, mas sem corrente muito forte. A tampa é essencial pois podem às vezes tentar sair e acabariam morrendo secos em algum canto da casa.
O pH deve ser mantido entre 7,0 e 7,2 e a temperatura ideal situa-se entre 22 e 26º C. Trocas de água de 20% do total semanalmente são as melhores recomendações para mantê-los sadios.

Dito isto, só resta agora você, caro leitor, adquirir suas rãzinhas-de-garras em uma loja de sua preferência e descobrir mais coisas acerca deste interessante animalzinho. Até a próxima.
Referências Bibliográficas:
- Burton, Dr. Maurice. Encyclopedia of Reptiles, Amphibians and Other Cold-Blooded Animals. Octopus Book limited. London, 1995.
- Breen, Jonh F. Encyclopedia of Reptiles and Amphibians. T.F.H. Publications, 1994.
* Médico Veterinário