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Impressão

Iguana Verde
(Iguana iguana Linnaeus, 1758)


Reinaldo Ribeiro de Santana *

Dentre os lagartos mantidos em cativeiro a iguana é sem dúvida o mais popular, talvez por seu aspecto um tanto “pré-histórico” que atrai a curiosidade de tanta gente, sobretudo de crianças e adolescentes. Como amansa com facilidade e tem um regime alimentar onívoro, torna-se um companheiro relativamente fácil de ser mantido.

A Iguana-verde (que apesar do nome nem sempre é verde) é um animal nativo da América do sul. Foi introduzida na Flórida, em Miami, em certas ilhas do estado da Virgínia e em algumas ilhas das Pequenas Antilhas. Embora ao vê-la sempre associemos com florestas tropicais, a espécie ocorre também na caatinga, o que demonstra ser um animal bem eclético.



É um animal arborícola por natureza, embora mova-se agilmente no chão e certamente sabe aí encontrar alimento quando o mesmo escasseia nas árvores. Quando habita próximo a grandes rios, prefere os galhos que ficam sobre a água para onde se lançam em caso de perigo. Nadam e mergulham com maestria, colando os membros ao corpo e impulsionando-se com a cauda. Podem ficar vários minutos submersas e geralmente saem do rio em algum ponto onde a vegetação ribeirinha cubra as margens, para não serem avistadas.

Atinge facilmente os 2 metros de comprimento total, das quais a maior parte pertence à cauda, mas na caatinga costuma ser menor. Costuma ser insetívora quando jovem, consumindo alguns vegetais, e passa a herbívora na fase adulta, como regra geral, embora hajam exceções, de acordo com os indivíduos, a época do ano e os recursos do ambiente, como já foi observado.

Na natureza tem como inimigos principais os grandes gaviões, que a capturam quando ela sobe nos pontos mais altos das árvores para expor-se ao sol; as jibóias, que também vivem nas árvores, e no chão ocasionalmente pode ser atacada por certos mamíferos, como os cachorros-do-mato. O pior de todos, entretanto, ainda é o homem, não tanto quanto a caça para comer, em regiões pobres de recursos, mas sim quando a caça para o comércio ilegal de animais silvestres.

Como tantos outros lagartos, a iguana pode deixar parte da cauda em poder de predador para safar-se, além do que pode usar a cauda para desferir violentas chicotadas, as unhas agudas podem arranhar e não deixa de dar mordidas, porém, seus melhores meios de defesa ainda são o mimetismo que sua coloração permite e caso seja descoberta, fuga para local seguro. Partes de caudas perdidas se regeneram, embora não em igual tamanho nem em mesma coloração.



Nas iguanas os machos se diferenciam das fêmeas pela maior parte, cabeça mais larga, crista dorsal maior, sobretudo no pescoço, saco gular mais desenvolvido e por uma série de poros femorais, ausentes nas fêmeas.

Na hora da compra, normalmente os exemplares são adquiridos juvenis e devemos ficar atentos a alguns detalhes. Não compre animais demasiado magros, daqueles que se notam nitidamente os ossos, sobretudo as costelas, pois podem ser animais portadores de verminoses ou molestados por outros exemplares, caso o local onde estejam expostos esteja super povoado, o que gera disputas por espaço e alimento.

Evite animais apáticos, que se deixam pegar sem nenhuma reação. Animais de olhos fechados ou com secreções oculares ou nasais, pois pode ser indícios de pneumonia. Aproveite para observar se estão com alguma fonte de calor no recinto, pois em pelo menos nas épocas mais frias do ano este fator é essencial. Dê uma olhada no solo do recinto e procure por fezes, que devem ser consistentes, nunca liquefeitas. Observe também se não há ferimentos pelo corpo, manchas escuras de aspecto úmido ou pequenos pontos castanhos ou escamas levantadas em alguns locais do corpo, pois podem haver carrapatos nestes pontos.

A iguana é um animal grande, portanto, mesmo adquirindo juvenis, pense num recinto o mais espaçoso possível, mesmo para um juvenil, onde a altura conta mais que o comprimento e o animal deve ter galhos à vontade não só por sua necessidade de subir mas para fazer exercícios, senão você terá um animal obeso com o passar do tempo.

Se o animal adquirido não for o primeiro, não o coloque de imediato com o que já possui, mas tenha um recinto à parte para servir de quarentena onde ele ficará por pelo menos um mês sendo observado. Caso possua um macho adulto, não junte à ele outro macho, especialmente se menor, já que são territoriais e o novato pode ser seriamente machucado. Fêmeas já são melhor aceitas, mas o recinto não deve ser apertado.



Um bom recinto para o iguana adulto deve ter 3 metros de comprimento, 2 metros de altura e 2 metros de largura. Se puder fazer maior, melhor. Coloque tronco a à vontade para ele subir, todos bem fixados para evitar acidentes. No piso podemos colocar areia de obras e um recipiente com água, sempre trocada, de tamanho suficiente para que ele entre de corpo inteiro será de muito bom agrado. Um local coberto, no alto de preferência, onde ele durma à noite ou se proteja da chuva ou do frio não deve ser esquecido. Parte do recinto deve ser coberta para que a iguana possa se proteger do excesso de sol e calor, pois ela deve ter opção de quanto calor é suficiente para si. Alimente os juvenis com larvas de tenébrios, grilos e baratas criados em cativeiro, pedaços de carne, peixe cozido, frango e ovos cozidos em pedaços, além de pedaços de frutas, legumes e verduras, estas bem lavadas antes para evitar-se algum agrotóxico residual. Ofereça a maior variedade possível já que as preferências são muito individuais. Complemente com vitaminas e sais minerais próprios para répteis. A iguana tem o costume de forragear, ou seja, andar de um lado para o outro cheirando objetos e testando-os com a língua, portanto, é melhor não oferecer uma grande refeição de uma vez, mas oferecer pequenas porções de itens variados ao longo do dia, pois está mais de acordo com seus hábitos naturais. Isto dará também à você uma idéia da tendência alimentar que o seu animal deverá apresentar na fase adulta. Embora sejam tidas como quase exclusivamente herbívoras quando adultas, na natureza, de acordo com o habitat e época do ano, com certeza os insetos e ovos e filhotes de aves fazem parte do seu regime alimentar, ao menos ocasionalmente.

Em cativeiro já foram observadas estas variações individuais, havendo os herbívoros propriamente ditos, os onívoros e outros que preferem proteína animal. Iguanas são muitas vezes criadas soltas dentro de casa, mas tome sempre cuidado para que não saiam dos limites de seu terreno pois podem acontecer sérios acidentes uma vez fora de casa. Pessoas podem se assustar e ferir ou mesmo matar seu animal se não souberem que pertence à você, ou algum animal da outra casa poderá matar a sua iguana.


     


Observe sempre as mudas de pele de seu animal. Mantenha uma umidade adequada no recinto e se for preciso borrife-a com água em dias quentes e secos. Se um pedaço de pele velha não se soltar, passe com um pincel macio um pouco de óleo mineral neutro no local e, após alguns minutos, com o auxílio de uma pinça, retire cuidadosamente a pele velha. Tenha sempre no terrário ou no viveiro um termômetro e um higrômetro para checar sempre as condições e fazer as correções necessárias quando for o caso. A temperatura ideal de ficar entre 26-35º C e a umidade entre 70-80%.

As iguanas fêmeas na natureza põem seus ovos (40 ou mais) no solo, muitas vezes em praias de grandes rios, cavando antes vários locais até que decidem por um deles e aí fazendo sua postura. A temperatura é sempre de 30º C para o correto desenvolvimento dos embriões , variando apenas um grau acima ou abaixo desta marca. Os ovos levam 3 meses para eclodir e os filhotes nascem com 20 cm de comprimento total.

Crescem rápido nos dois primeiros anos, na taxa de 2,5 a 4 cm por mês, caindo após este tempo em cativeiro para 2,5 cm por ano. Podem viver até 25 anos em cativeiro e periodicamente devem ter suas fezes examinadas por um veterinário para acompanhar-se o possível aparecimento de verminoses, principalmente na fase juvenil quando se alimentam preferencialmente de insetos, que costumam ser hospedeiros intermediários de vermes intestinais.

Referências Bibliográficas
Burton, Dr. Maurice. Encyclopedia of Repitiles, Amphibia & Other. Cold-blooded Animals. Octopus Book Limited. Londres, 1975.

Moenich, David R. Lizards. TFH Publications, Inc. USA, 1995.

Francisco, Luiz Roberto. Répteis do Brasil - Manutenção em Cativeiro. Gráfica e Editora Amaro Ltda. 1997.

Alderton, David. Reptiles and Amphibians, A Petkeeper's Guide. Salamander Books Limited. Londres e Nova York, 1986.


* Médico Veterinário


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